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segunda-feira, 6 de julho de 2015

Bedugul (Bali)

Em Lovina e dado que o lugar nada mais é que uma rua com hoteis que tiveram o seu auge, à muitas décadas atrás, resolvemos alugar uma mota e regressar ao centro de Bali, às terras mais altas...

Em Bedugul, vivem bastantes muçulmanos, é interessante depois do choque inicial, perceber que religião que domina a Indonesia está mesmo presente...


E aqui encontra-se um dos melhores mercados locais que encontramos até ao momento... para turistas, mas onde também os locais compram a sua fruta e vegetais... agrada a todos e permite sentirmos um pouco mais da vida no dia a dia...


Descendo um pouco, junto ao lago Danau Beratan, temos um dos templos dedicado à deusa Hindu balinesa Dewi Danu, deusa dos rios e dos lagos, símbolo de fertilidade das terras...



Mas não existe apenas aquele lago, mesmo muito junto encontramos o Danau Buyan, junto as margens deste lago, conseguimos evitar o circuito turístico e vimos as pessoas completamente alienadas de nós, ocidentais, na sua rotina de cultivo...


Cada vez aprendo mais alimentos e frutas que desconhecia, a questão é que continuo a desconhece-las em português, ora em inglês ora na língua local...




Nas margens do rio, ainda têm uma aquacultura... 


domingo, 5 de julho de 2015

Lovina (Bali)

Chegamos a Lovina a meio da tarde... Desta feita seguimos mais a norte para conhecer outro lado da ilha de Bali.

Aqui as praias são cinzentas, devido à proximidade do vulcão... Hospedámo-nos mesmo na praia, sair do hotel e colocar o pé na areia, só possível, para o nosso budget aqui... e porquê? porque em tempos de crescimento também toda esta área foi desenvolvida para os turistas, agora existem mais infra-estruturas que visitas e os poucos turistas que existem são completamente assediados por todo o lado....

Pela primeira vez, aventurámos-nos num transporte local e tentando desbravar um pouco mais, seguimos até Singaraja, a cidade vizinha...



Aqui pela primeira vez saboreamos o país muçulmano, nesta cidade laboral e por isso não turística... uauh!!! isso existe aqui no Bali e parece que o descobrimos :D


Vi uma ruela com uma mesquita, comentei com a Sandra, em África nunca me poderia por aqui, mas na Ásia vamos lá.... Ruas estreitas, mas muita gente na rua, o Ramadão ainda está a decorrer e os muçulmanos esperam ansiosamente que o sol se ponha.... Olharam-nos surpreendidos, hum que fazem turistas aqui... 



...e depois sorriram e mostraram um lado de Bali que ainda não tinha experimentado a curiosidade por nós, turistas!!!


Continuamos em direcção ao mar... as ruas cada vez mais estreitas e os olhares a aumentarem, assim como a surpresa de nos ver a vaguear por ali...


As crianças logo desde pequenos se tornam velejadores... mesmo que seja apenas dos seus pequenos barquitos, nas construções que utilizam para fazerem corridas e sem dúvida que quando chega a altura de comandarem, dominam os ventos, as marés e toda a arquitetura da embarcação...


Fomos interpoladas por um dos locais que falada um pouco de inglês....estava espantado por nos ver ali, assim como de nós, que tínhamos locaisque não procuravam nada ($) em troca  de nós... Questionou de onde somos: Portugal respondemos..... Hum... "estive lá ao largo dos Açores na década de noventa... velejei muitos anos com um Britânico"... sentimos isso mesmo no seu sotaque..."nunca fui a terra e nunca conheci, tive de ficar escondido no barco, as relações não eram a melhor nessa altura, por causa de Timor Leste"... verdade!! tempos em que Indonesia era sinónimo de brutalidade, pelo menos na minha mente de adolescente....


Por aqui... os locais que habitam na 2ª maior cidade da ilha, procuram o porto, como centro de lazer para o final do dia, onde assistem ao pôr-do-sol, ou simplesmente convivem com os amigos e família...



junto à estátua de Yudha Tama, o guerreiro que foi morto pelos Holandeses, na luta pela independência,  nesta antiga cidade colonial...

sábado, 4 de julho de 2015

Hinduísmo (Bali)

Quando, depois de algum tempo em Bali, li que a Indonesia é o país com a maior percentagem muçulmana do mundo (86%) e que a população Hindu é apenas de 3% não acreditei... 

Bali não espelha a realidade do país e talvez seja este um dos seus encantos....


Sem dúvida que a sua beleza paisagística, principalmente as praias estão sobrevalorizadas, mas a cultura Hindu dá-lhe uma certa magia....infelizmente absorvida pelo excesso de turismo... Mas a beleza existe...


Existe na paisagem arquitectónica, nas suas casas, nos seus templos, nas suas roupas e decorações...



De manhã as mulheres fazem oferendas aos Deuses, rezam a pedem a benção para mais um dia.... 


Em muitos dos lugares as oferendas são tantas, que se acumulam com o passar dos dias, levando a uma pequena enchente, sendo complicado contornar a rua sem as tocar ou pisar...


E mesmo com a modernização, na visita aos templos, nas procissões e oferendas todos se vestem a rigor, sejam eles os mais velhos... ou os mais jovens com óculos da moda e smartphones no bolso...



Quanto a visitar os templos, as regras são claras, todos devem usar sarong (saia), não adianta seguir de jeans ou calças compridas, sarong e só sarong... além disso os templos têm outras regras, não sendo permitido a visita na altura da menstruação, a grávidas, mães em que os primeiros dentes da criança ainda não tenham nascido e crianças que ainda não tenham perdido pelo menos um dente de leite...

Excepção a tudo é o Tanah Lot, o templo mais visitado, que tanto turista e a sua localização sob o mar, nos permite passear em calções e mini-saia sem qualquer chamada de atenção... quando a maré enche para visitar obriga a atravessar a água e molharão-nos... 


Quando o visitei pela primeira vez a maré estava cheia, tirei as calças e segui em bikini, aí fui interpolada pelos locais e possivelmente disseram-me em indonésio, não achas que em cuequinhas já é demais??? assim nem me consegui aproximar... no entanto na, segunda vez, a maré estava vazia, tornando-o acessível a todos!!!


Bali,  por baixo de todo o aparato que o rodeia tem um grande magnetismo... É como uma linda mulher, com uma personalidade fantástica, mas que foi maquilhada e vestida para o carnaval, quando o resto permanece vestido casualmente... Chega a roçar o ridículo (turismo) mas que a beleza é real e está lá, isso sem dúvida....

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Jatiluwih e os Arrozais (Bali)

Pela primeira vez em Bali eu e a Sandra decidimos alugar uma motinha :D

O objectivo era além de fugir dos turistas, ter a oportunidade de observar os arrozais...

Sob o comando do Presidente Suharto, a Indonesia passou de um dos principais importadores a exportar arroz. Em Bali, vemos arrozais por todo o lado e quando conseguimos comunicar com um local, por norma confirma que tem um bocadinho de terra onde cultiva o seu arroz...



Conduzir nesta terra é um verdadeiro desafio, além de termos de estar atentos a todos os lados, pensar que conseguimos uma média acima dos 40km/h é a verdadeira loucura...



As estradas parecem as estradas secundárias alentejanas, onde pensamos que apenas têm largura para um carro, aqui é igual, parece que na faixa de rodagem a separação pintada no meio, é apenas um exercício de criatividade, como se conseguiram cruzar duas viaturas?? além de viaturas temos milhares de motas que ultrapassam por todos os lados... e quando entram na faixa de rodagem fazem-no pelo lado mais acessível, nem sempre o correto... mas aqui não existe correcto ou leis de estrada, existe apenas sobreviver....




E é com o espírito de sobrevivência que percorremos largos km isoladas do turismo, em contacto com os locais, de mapa nas mãos e perdidas... Falamos e pedimos direcções..aqui não se fala inglês e nem se percebe o que perguntamos... Como sabemos se vamos na direcção correta? Fazemos 3 perguntas: Primeiro perguntamos o que queremos e apontamos para um dos lados da estrada, se afirmam positivamente, questionamos o mesmo para o outro lado e depois questionamos a cidade de onde viemos e aí com certeza apontamos para o lado oposto, se a reação for a mesma para as 3 perguntas, estamos feitas, não perceberam o que perguntamos.... E assim descobrimos como perceber se nos entenderam... Pois andamos alguns km no lado oposto porque apenas fizemos a 1ª pergunta :S



Depois de muito questionar, pesquisar no mapa e quase desesperar numa estrada de areia e pedra de muitos solavancos, em que tive até de decidir conduzir sozinha, por não conseguir garantir a integridade de ambas, lá chegamos finalmente ao destino....



Arrozais a perder de vista, pelo menos até aquele turista ali à frente, sim voltamos a encontrar-nos com a enchente de gente no Bali... os locais, com olho para o negócio até cobram a passagem na estrada??? ah pois, colocam uma pequena portagem, queres ver os arrozais famosos, então toca a pagar....


E que tal levar um pouquinho de arroz? São 0,7€ por 100 gr, mesmo depois de negociar... Isto tudo para levar um pedaço de arroz diretamente do arrozal... o mesmo que nos chega no supermercado a este valor, mas por kg, depois de viajar kms, ser embalado e pago o marketing e restantes indirectos, enfim... isto de ser turista tem os seus luxos....

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Ubud (Bali)

EAT, PRAY AND UBUD... Se Bali já estava na moda, certamente que este mega sucesso em livro e depois encarnado pela Julia Roberts no cinema, também não veio ajudar...pois é aqui em Ubud que Elizabeth encontra o seu amor!!!

Pois, e Ubud não parece mais calmo que Kuta, uma multidão de turistas por todos os lados, e como sabemos que este lugar é mesmo turístico??? quando paramos para reflectir sobre o assunto no Starbucks lá da zona...


Sim é oficial e apesar de ter o seu encanto, um Starbucks para os 30.000 habitantes parecia um tanto ou quanto estranho....


Ubud, é conhecida como uma vila artística, por isso e pelo Ketut, que adivinhou o futuro da personagem e o seu regresso à vila....


Muitas pessoas, muita confusão e Ketut por todo o lado, era a loja, a mercearia, o café, o homestay,etc... Bolas, podem parar de explorar o nome do sr do filme.... Bolas, podes deixar de ser  tão ignorante :S afinal não é Ketut, Nyoman também é muito comum e era assim que se chamava a minha homestay, percebi que a diferença de Nyoman para Ketut é apenas de 1 irmão... dito isto Nyoman é o que se chama ao 3º filho e Ketut é o nome para o 4º... afinal não estão todos a mencionar o filme, apenas existem famílias grandes.... Ops...


Aqui conseguimos mesmo fazer uma caminhada e quase nos esquecermos que estávamos rodeadas de outros como nós, estranhos ao lugar, em busca da sua essência e só a ver caras que certamente não são locais....


Até que de um momento para outro, outra enchente de pessoas.... muitas motas e muito movimento... ou não, que será aqui agora... Aquilo mesmo que procurávamos, um lugar onde ser turista ainda é ser exótico.... E por sermos turistas em vez de pagar, entrámos de graça, sejam bem-vindas!!! E assim pela primeira vez assisti a uma guerra de galos!!!


Colocam uma faca numa das patas, apresentam-os à plateia, depois começam a entoar uns cânticos e a levantarem a mão, que nem claques, depois trocam-se olhares e fazem-se apostas diretamente com o vizinho na bancada ou do outro lado do recinto se for preciso... Depois arrancam-se uns pêlos do pescoço dos bichos a soltam-nos.... Os donos emocionados, simulam os movimentos que os galos devem fazer com a pata.... Existe sempre um e apenas um que pode ganhar, nem que para isso os tenham de colocar dentro de um minúsculo cesto... Alguns parece que sabem que vão morrer e ser superados, tentam fugir, escapar....


E assim, junto da população local, assistimos a uma das tradições de Bali mais antiga... Existe na sua dualidade, para purificação ligada à religião ou apenas para apostas e esse foi declarado ilegal no ano em que nasci.... Pois de religião vi pouco, estamos mesmo num combate ilegal, aqui às claras...

..e agora, só falta mesmo provar a comida neste local... uauh!!! que delícia..... conseguisse eu sentir os lábios e diria que foi uma das mais apetitosas que tive nos últimos tempos...


Por último já que aqui estamos, apostemos!!! não nos galos que me parece demasiado cruel e ainda não percebi bem o sistema. Apesar, de no final, toda a gente que perde enviar pelo ar os maços de notas para o parceiro correspondente e não ter visto ninguém a reclamar ou a lutar, preferimos o jogo de dados, mais simples, colocar o dinheiro no quadrado e esperar....claro que saiu noutro....